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MÁRCIO THOMAZ BASTOS E O MENSALÃO


MÁRCIO THOMAZ BASTOS E O MENSALÃO

Tive alguns debates com amigos a respeito da defesa do senhor Cachoeira, aquele que suscitou uma cascata de denúncias de corrupção, com perdão do trocadilho. Muitos alegavam a surpresa de um ex ministro da justiça defender um corrupto deslavado...e eu argumentava que não haver uma defesa seria como condená-lo sumariamente e que o fato de Márcio Thomaz ter sido ministro da justiça não tinha nada a ver com o de que ele pudesse defender quem quer que fosse. Bem, passado algum tempo, vejo-o em cena novamente como defensor dos réus do mensalão e novamente fico com o mesmo argumento: alguém tem que defendê-los.
Deparo-me com uma reportagem da Folha de São Paulo que dá todo o currículo de Márcio Thomaz Bastos e explica porque ele é chamado de God...e preferido por nove entre dez encurralados politicamente. Até aí, também, tudo bem, ele não tem culpa de ser bom advogado nem de entender de política. A coisa, porém, se complica, quando entendemos os métodos que usa para trabalhar. Falando como Carlos Heitor Cony, vou também confessar minha ignorância total sobre direito e não vou fazer argumentações jurídicas, mas vejamos.
No primeiro dia do julgamento do mensalão, o advogado Márcio Thomaz Bastos, ao invés de dizer por que seus defendidos eram inocentes, limitou-se a gastar um tempo enorme(seguido de outro tempo enorme de mais de doze horas, dos ministros do supremo) para pedir o desmembramento do processo. Como não sou advogado entendi inicialmente que isso tinha uma importância capital para o julgamento, mas sou informado posteriormente de que tudo isso foi apenas uma “manobra” jurídica para adiar o julgamento mais alguns dias...pelo menos até ....03 de setembro...se não me engano...quando um dos ministros do STF que vai votar pela punição dos réus.....se aposenta.
A partir daí a figura do senhor Márcio Thomaz Bastos já ficou bem cinza para mim. Se é assim que ele age, ele, a meu ver, faz com que:

a)Acreditemos realmente que os réus são culpados: para quê adiar o julgamento...se alguém quer ficar livre, quanto mais rápido melhor. Ele não tem estratégia melhor?

b)Já se sabe de antemão quem(do STF) vai votar por punir os réus e quem vai inocentar...e deve parecer ao advogado que os votam pela punição são maioria.

c)Espera-se então(por manobra governamental?) que o novo ministro a ocupar a vaga do aposentado seja um a favor da...inocência dos réus.

Para mim, manobras jurídicas não são coisas do direito, mas coisas da falta de direito, coisas que não deveriam existir.

Então, para terminar, se é assim que ele age, se é assim que ganha os processos, então é da mesma laia dos que corrompem. No final das contas vai nos interessar muito mais do que a culpa ou a inocência saber quando é que esse dinheiro vai voltar para os cofres públicos, ou seja, para nós.

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